Segunda-feira, Agosto 18, 2003
O emigrante
Nunca em Portugal vi um número tão elevado de emigrantes. Alemanha, Bélgica, Suiça, França e Luxemburgo, com destaque para estes últimos, são os países mais comuns.
Os emigrantes são portugueses (ou eram) que decidiram ir procurar melhores condições de vida no estrangeiro. E eu com isso? Não venham com a história que são trabalhadores, porque cá também se trabalha, eles apenas ganham mais dinheiro, mas não há dinheiro que me pagasse a infelicidade de ser um deles.
Esta posta tem por alvo os emigrantes da classe média que normalmente não têm classe. Não quero generalizar a casos de que nos devemos orgulhar. Apenas falo daquela figura grunha e irritante que chateia mais do que os mosquitos nesta altura do ano. Aqueles que no areal gritam “Jaqueline. Vien ici ou levas um estalo nas fuças!”
Economicamente a sua importância resume-se a umas economias que vão mandando para cá e ao dinheiro que estouram por cá durante as férias. As economias que vão mandando para cá não é por serem portugueses, mas sim porque os bancos estupidamente lhes dão condições mais favoráveis que ao comum cidadão. Quanto ao dinheiro que estouram por cá, deveria ser criada uma tabela de preços que triplicasse os valores, tipo “imposto especial sobre destruidores da cultura portuguesa”.
Mas o que mais me impressiona é a parte cultural. O intercâmbio de pessoas entre países tem o seu papel mais importante na troca de cultura. A cultura que se leva para outro país e a cultura que se traz do outro país. Estes grunhos falharam em ambos os sentidos. A imagem que eles levaram de Portugal para o país de destino é triste, em nada corresponde à verdade. Portugal mudou, Portugal evoluiu e eles não repararam.
Quanto à cultura que eles trouxeram? Nenhuma, apenas corrompem e destroem a cultura portuguesa. A arrogância com que passeiam os seus carros, muitas vezes alugados por um mês, apenas para mostrarem um nível social que não tem. Casas construídas à beira-mar com telhados pretos e inclinados típicos de países em que neva abundantemente. As suas constantes frases do tipo “Em França não é nada disto, é um país muito mais desenvolvido”.
Quando estão lá querem ser portugueses, quando estão cá com os seus Grunhomóbiles querem ser franceses. Tanto lhes dá. Querem ser algo. Querem ser melhores que os portugueses de Portugal e melhores que os franceses de França. Querem ouvir Roberto Leal a cantar em francês (este é talvez o Grunho-emigrante mor), mas o triste, sim t-r-i-s-t-e, apenas consegue imitar um ridículo sotaque brasileiro. São o que se pode chamar de “bisexuais de nacionalidade” não sabem o que querem, não tem preferência.
A todos os emigrantes honestos, humildes e discretos os meus parabéns e obrigado.
Nunca em Portugal vi um número tão elevado de emigrantes. Alemanha, Bélgica, Suiça, França e Luxemburgo, com destaque para estes últimos, são os países mais comuns.
Os emigrantes são portugueses (ou eram) que decidiram ir procurar melhores condições de vida no estrangeiro. E eu com isso? Não venham com a história que são trabalhadores, porque cá também se trabalha, eles apenas ganham mais dinheiro, mas não há dinheiro que me pagasse a infelicidade de ser um deles.
Esta posta tem por alvo os emigrantes da classe média que normalmente não têm classe. Não quero generalizar a casos de que nos devemos orgulhar. Apenas falo daquela figura grunha e irritante que chateia mais do que os mosquitos nesta altura do ano. Aqueles que no areal gritam “Jaqueline. Vien ici ou levas um estalo nas fuças!”
Economicamente a sua importância resume-se a umas economias que vão mandando para cá e ao dinheiro que estouram por cá durante as férias. As economias que vão mandando para cá não é por serem portugueses, mas sim porque os bancos estupidamente lhes dão condições mais favoráveis que ao comum cidadão. Quanto ao dinheiro que estouram por cá, deveria ser criada uma tabela de preços que triplicasse os valores, tipo “imposto especial sobre destruidores da cultura portuguesa”.
Mas o que mais me impressiona é a parte cultural. O intercâmbio de pessoas entre países tem o seu papel mais importante na troca de cultura. A cultura que se leva para outro país e a cultura que se traz do outro país. Estes grunhos falharam em ambos os sentidos. A imagem que eles levaram de Portugal para o país de destino é triste, em nada corresponde à verdade. Portugal mudou, Portugal evoluiu e eles não repararam.
Quanto à cultura que eles trouxeram? Nenhuma, apenas corrompem e destroem a cultura portuguesa. A arrogância com que passeiam os seus carros, muitas vezes alugados por um mês, apenas para mostrarem um nível social que não tem. Casas construídas à beira-mar com telhados pretos e inclinados típicos de países em que neva abundantemente. As suas constantes frases do tipo “Em França não é nada disto, é um país muito mais desenvolvido”.
Quando estão lá querem ser portugueses, quando estão cá com os seus Grunhomóbiles querem ser franceses. Tanto lhes dá. Querem ser algo. Querem ser melhores que os portugueses de Portugal e melhores que os franceses de França. Querem ouvir Roberto Leal a cantar em francês (este é talvez o Grunho-emigrante mor), mas o triste, sim t-r-i-s-t-e, apenas consegue imitar um ridículo sotaque brasileiro. São o que se pode chamar de “bisexuais de nacionalidade” não sabem o que querem, não tem preferência.
A todos os emigrantes honestos, humildes e discretos os meus parabéns e obrigado.
O pisca-pisca português
Tenho notado que em matéria de pisca-pisca os condutores portugueses têm estilos únicos, que passo a enumerar:
- O secreto: Nós não o vemos mas o condutor jura e age como se o tivesse feito, este tipo de pisca-pisca dá direito ao condutor de efectuar viragens a qualquer momento, sendo obrigatoriedade de todos os outros condutores adivinharem quando e onde. Ao fim de alguns anos de carta, o normal condutor português consegue facilmente identificar estas manobras, no entanto pode causar algum problema a condutores noviços ou estrangeiros.
- O imediato: Confere o direito de viragem imediata, tendo os restantes condutores de estarem preparados e de olhar fixo no pisca-pisca dos veículos mais próximos. É muito comum nas auto-estradas quando se está prestes a ultrapassar um carro e o seu condutor, ultrajado pela sua máquina estar a ser subestimada, decide por esta manobra de recurso. Efectua pisca-pisca imediato e inicia uma ultrapassagem vertiginosa, obrigando todos os carros a travar. Tal como o anterior também pode causar danos entre noviços e estrangeiros.
- O eventual: é o tipo de pisca-pisca mais confortável. O condutor liga o pisca a sair de casa e apenas o desliga quando estaciona o carro. Chama-se eventual porque garante ao condutor o direito de virar a qualquer momento entre os pontos de partida e de chegada, ou não. Por vezes pode ser mudado da esquerda para a direita e vice-versa, mas outra das suas particularidades é que é cumulativo com o tipo “secreto”. Por exemplo, um condutor utilizando este tipo para a direita, pode a qualquer momento utilizar um pisca-pisca secreto para a esquerda e virar imediatamente.
Apesar de serem comuns a todos os escalões etários e sexos, podemos afirmar com segurança que o tipo “imediato” é mais comum no sexo masculino, normalmente no escalão etário dos 20-40 anos. Os tipos “secreto” e “eventual” são mais característicos do sexo feminino e dos indivíduos do sexo masculino no escalão etário dos 55-90 anos.
Tenho notado que em matéria de pisca-pisca os condutores portugueses têm estilos únicos, que passo a enumerar:
- O secreto: Nós não o vemos mas o condutor jura e age como se o tivesse feito, este tipo de pisca-pisca dá direito ao condutor de efectuar viragens a qualquer momento, sendo obrigatoriedade de todos os outros condutores adivinharem quando e onde. Ao fim de alguns anos de carta, o normal condutor português consegue facilmente identificar estas manobras, no entanto pode causar algum problema a condutores noviços ou estrangeiros.
- O imediato: Confere o direito de viragem imediata, tendo os restantes condutores de estarem preparados e de olhar fixo no pisca-pisca dos veículos mais próximos. É muito comum nas auto-estradas quando se está prestes a ultrapassar um carro e o seu condutor, ultrajado pela sua máquina estar a ser subestimada, decide por esta manobra de recurso. Efectua pisca-pisca imediato e inicia uma ultrapassagem vertiginosa, obrigando todos os carros a travar. Tal como o anterior também pode causar danos entre noviços e estrangeiros.
- O eventual: é o tipo de pisca-pisca mais confortável. O condutor liga o pisca a sair de casa e apenas o desliga quando estaciona o carro. Chama-se eventual porque garante ao condutor o direito de virar a qualquer momento entre os pontos de partida e de chegada, ou não. Por vezes pode ser mudado da esquerda para a direita e vice-versa, mas outra das suas particularidades é que é cumulativo com o tipo “secreto”. Por exemplo, um condutor utilizando este tipo para a direita, pode a qualquer momento utilizar um pisca-pisca secreto para a esquerda e virar imediatamente.
Apesar de serem comuns a todos os escalões etários e sexos, podemos afirmar com segurança que o tipo “imediato” é mais comum no sexo masculino, normalmente no escalão etário dos 20-40 anos. Os tipos “secreto” e “eventual” são mais característicos do sexo feminino e dos indivíduos do sexo masculino no escalão etário dos 55-90 anos.
Portugal a arder: as chamadas telefónicas
Diversas estações de rádio e televisão iniciaram campanhas de angariação de fundos com base em chamadas telefónicas. Associaram-se inúmeras empresas de telecomunicações para que o dinheiro fosse na íntegra para ajudar as vítimas dos incêndios.
Mais tarde algumas pessoas vieram para a opinião pública alarmados de que o Estado (não, não é o Governo. São figuras distintas e o Governo não cobra impostos) estava a cobrar os correspondentes 19% de IVA. Indignadas estas pessoas pedem a isenção de IVA para estas chamadas, o que na minha opinião é um pedido disparatado, isto porque:
- por força da legislação europeia que regula e harmoniza a aplicação do IVA as chamadas telefónicas não podem ser consideradas isentas de IVA.
- o papel e âmbito do Ministério das Finanças não é o da beneficência, mas sim o de controlar as finanças públicas e é saudável que não se aumente ainda mais a confusão que já existe entre os diversos ministérios.
Obviamente que todos, eu incluído, desejávamos que esse IVA ou não fosse cobrado ou, no caso de o ser, fosse destinado também a ajudar as vítimas dos incêndios. Infelizmente as regras orçamentais portuguesas não permitem a alocação de receitas do IVA directamente a determinadas despesas pelo que não é possível que isso seja efectuado. Mas existe a alternativa do Governo poder decidir reforçar a dotação dos Ministérios responsáveis pelo auxílio no valor do IVA cobrado.
Mas como facilmente se pode ver as soluções são apenas políticas, pois do ponto de vista orçamental é indiferente. Os incêndios criaram uma despesa extra que não tinha dotação orçamental. Ou seja vão ter que ser alocadas receitas “extraordinárias” portanto de forma directa ou indirecta, o dinheiro irá lá parar, pois ameniza o esforço orçamental. Como referi a solução é apenas política, é uma solução do “fica bem que assim seja” e burro é o governante que não a aproveitar...
PS: Depois de ter escrito esta posta, vi o Marcelo Rebelo de Sousa defender parte da solução que aqui apresento, mas ele ficou apenas a metade do raciocínio, talvez por ter de ser politicamente correcto...
Diversas estações de rádio e televisão iniciaram campanhas de angariação de fundos com base em chamadas telefónicas. Associaram-se inúmeras empresas de telecomunicações para que o dinheiro fosse na íntegra para ajudar as vítimas dos incêndios.
Mais tarde algumas pessoas vieram para a opinião pública alarmados de que o Estado (não, não é o Governo. São figuras distintas e o Governo não cobra impostos) estava a cobrar os correspondentes 19% de IVA. Indignadas estas pessoas pedem a isenção de IVA para estas chamadas, o que na minha opinião é um pedido disparatado, isto porque:
- por força da legislação europeia que regula e harmoniza a aplicação do IVA as chamadas telefónicas não podem ser consideradas isentas de IVA.
- o papel e âmbito do Ministério das Finanças não é o da beneficência, mas sim o de controlar as finanças públicas e é saudável que não se aumente ainda mais a confusão que já existe entre os diversos ministérios.
Obviamente que todos, eu incluído, desejávamos que esse IVA ou não fosse cobrado ou, no caso de o ser, fosse destinado também a ajudar as vítimas dos incêndios. Infelizmente as regras orçamentais portuguesas não permitem a alocação de receitas do IVA directamente a determinadas despesas pelo que não é possível que isso seja efectuado. Mas existe a alternativa do Governo poder decidir reforçar a dotação dos Ministérios responsáveis pelo auxílio no valor do IVA cobrado.
Mas como facilmente se pode ver as soluções são apenas políticas, pois do ponto de vista orçamental é indiferente. Os incêndios criaram uma despesa extra que não tinha dotação orçamental. Ou seja vão ter que ser alocadas receitas “extraordinárias” portanto de forma directa ou indirecta, o dinheiro irá lá parar, pois ameniza o esforço orçamental. Como referi a solução é apenas política, é uma solução do “fica bem que assim seja” e burro é o governante que não a aproveitar...
PS: Depois de ter escrito esta posta, vi o Marcelo Rebelo de Sousa defender parte da solução que aqui apresento, mas ele ficou apenas a metade do raciocínio, talvez por ter de ser politicamente correcto...